Sustentabilidade Humana

O ser humano por sua própria natureza é sutentável. Mas, também, pela mesma natureza pode tornar-se degradável e, até, descartável. Dotado do livre arbítrio ele pode optar pelo direcionamento do próprio destino. Tudo depende dele. A inteligência, o pensamento, a vontade, a fé e os sentimentos estão em seu interior. Ele até pode contar com forças externas, como a graça divina, mas terá que abrir-se para ela. A possível sustentabilidade do ser humano é o objeto primeiro desta página.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA PARA A VIDA E PARA O PLANETA*

A vida é o maior prodígio acontecido em toda história do Universo. Tudo o que se possa imaginar de precioso e enigmático se encerra na vida. O ser humano é o mais importante e perfeito resultado do misterioso milagre da vida. Uma valiosa obra de arte, um espetáculo, o mais impressionante show da natureza, a "menina dos olhos" de Deus. O homem, detentor da vida, é o pivô da criação. No entanto, essa magnífica obra do Criador não nasce perfeita nem totalmente acabada, necessitando de complementação e aperfeiçoamento. A pessoa humana deverá ser construída, ao longo da própria existência, nas suas principais dimensionalidades intelectuais, psicológicas e sociais. Para tanto, o homem deverá ser educado, para administrar o temperamento, fortalecer o caráter, compor a própria personalidade, aprimorar os relacionamentos e estabelecer um caminho de equilíbrio e empatia com a natureza. Mesmo com toda perfeição de criatura privilegiada, que lhe é peculiar, o ser humano é frágil, complexo e limitado. Em sua caminhada existencial necessita de amparo, apoio, segurança externa e orientação para manter-se vivo, saudável e ativo. Essa vitalidade requer, também, uma consciência esclarecida acerca de tudo o que envolve a vida humana, desde seu nascimento até a morte. Essa consciência somente se adquire a partir de um movimento interior da racionalidade, que culmina no processo do conhecimento, passando do costume rudimentar ao hábito dinâmico para chegar a uma cultura arraigada de boa convivência com outros seres e com o meio ambiente.Embora dotado de uma inteligência diligente e eficiente, equiparada ao próprio espírito, a intelectualidade do homem precisa ser sempre exercitada. Todo o complexo racional da pessoa possui compartimentos virtuais, que formam um verdadeiro laboratório de colheita, análise e armazenagem de impressões que vão sendo colhidas a cada fração de segundos em sua vida ativa. A memória humana, sem limites, capaz de armazenar quantidades infinitas informações e dados, levando o homem à categoria de ente pensante, a marca que o distingue das outras criaturas. O pensamento humano, porém, precisa ser educado para aproximar-se o mais possível da verdade e ser feliz.A partir da aquisição do conhecimento, do exercício do saber e da conquista da cultura, o ser humano passa ter um relacionamento mais comprometido, autêntico e respeitoso com toda natureza, utilizando-a adequadamente para seu próprio benefício e para bem de seus semelhantes. Passa ter consciência que a transformação da matéria prima extraída do meio ambiente para industrialização de bens e produtos não deverá ser prejudicial ao ecossistema nem aos seus semelhantes. Quem pode preservar ou destruir o Planeta é o próprio homem. Preservar ou destruir dependerá de como for educado. A educação é a mais importante e necessária forma de aperfeiçoamento do pensamento e da vivência humana. Possibilita o crescimento intelectual e o desenvolvimento de habilidades profissionais através da inteligência e da vontade, que transforma o homem um ser de idéias claras, definidas, fortes, entusiastas, progressistas, críticas, corajosas e coerentes. Essa desenvoltura humana é impingida e burilada nos bancos escolares. A escola, como prolongamento da família, ainda é, o segundo maior e melhor fator de formação de caráter para as pessoas. O primeiro é a família. No sistema educacional, pelo menos três elementos são essenciais, o professor com seu cabedal de conhecimento; o aluno com sua curiosidade intelectual e a escola com os recursos mínimos necessários. Contudo, a chave de todo o processo educacional é o professor. Por ele passa o conteúdo programático organizado e a prática do saber e da cidadania. O professor inserido na questão da educação, ao mesmo tempo em que ensina, é também, modelo de vida para seus alunos. Está se iniciando em todo o Brasil o ano letivo, pelo menos na maioria das escolas de cursos fundamental e médio. Como é gratificante ver os alunos, uniformizados e ávidos pela necessidade do conhecimento, retornando às suas escolas. E os professores, bem preparados, cultos, equilibrados, imparciais, críticos, amigos, com seus conteúdos e material de apoio em dia, também ávidos e eufóricos por ensinar e ser exemplo. As escolas, antecipadamente preparadas, um ambiente gostoso, arejado, limpinho, agradável e bem equipado, onde os servidores trabalharam com amor para propiciar um lugar que seja o prolongamento do lar dos alunos, afinal a escola foi construída para eles. A harmonia das cores, o aroma das flores plantadas ao redor do pavilhão. As cores das bandeiras e o sorriso sincero e cativante dos profissionais de apoio recepcionando os alunos. Tudo isso pode criar o clima desejável e propício para que o pensamento humano seja educado, porém o processo tornar-se-á perfeito e o homem completo, se houver entre todos, o verdadeiro amor. Somente educa quem verdadeiramente ama, porque educar é construir pessoas felizes. Pessoas felizes preservam a vida, respeitam a natureza e constroem a paz.
*Publicado na Revisata Panorama Ambiental: http://www.panoramaambiental.com.br/?pg=artigos&id=1007

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ÚLTIMO DESEJO*

Naquele abençoado último ano do Milênio, eu completaria, em maio, quarenta e sete anos de idade. Em janeiro iniciara um, tão sonhado, Curso de Doutorado. Membro de uma belíssima e encantadora família. Minha esposa, professora de Língua Portuguesa, recém formada em Direito. Meus dois filhos, um com doze e o outro com quinze anos, respectivamente. Grandes projetos pessoais, um futuro brilhante e promissor na vida profissional, prometiam fazer de mim o homem mais feliz do mundo. A vida me sorria, como o maior presente que recebi de Deus.Porém, qual uma espessa cortina negra, caiu-me diante dos olhos o anátema do médico anunciando, após alguns exames, que eu estava com câncer. Era um nódulo de aproximadamente cinco centímetros e, provavelmente, maligno, localizado no interior da bexiga. A ordem era que eu procurasse um hospital de oncologia, o mais breve possível. Foi como dizer que tudo estava acabado. Vi a morte nos próximos seis meses. A princípio não tive coragem de contar para a família. Minha esposa, quando tomou conhecimento, abandonou tudo e acompanhou-me naquela dolorosa “via crucis”. Depois da terceira cirurgia, a equipe médica do primeiro hospital orientou-a para que voltasse para casa e cuidasse dos filhos e da vida, porque meu organismo não tinha mais forças para resistir. Iriam fazer uma nova cirurgia apenas para desencargo de consciência, como manda a ética médica. Não desistimos. Contra tudo e contra todos, minha esposa sozinha, me transferiu para outro hospital. Mais vinte e poucos dias de UTI e a quarta cirurgia. A esperança voltava acender-se em nosso coração.Durante o tempo de agonia, o que me marcou muito foi o fato de um dia ter manifestado, a um casal de enfermeiros, que meu último desejo seria tomar um banho de cachoeira. Estava a três semanas sem poder colocar uma gota de água na boca. No outro dia, na hora do banho de leito, eles apareceram com uma grande bacia e um jarro de água natural. Posicionaram minha cabeça fora do leito e pediram que eu imaginasse estar debaixo de uma grande cachoeira. Confesso, ainda com lágrimas de gratidão, que foi o mais belo banho de cachoeira que lembro ter tomado em toda minha vida. Aqueles anjos me fizeram ver que "viver é melhor que sonhar". Hoje, quando escrevo este texto, estou com cinqüenta e dois anos, completamente vivo e feliz.
*Texto enviado para concurso em 2004

sábado, 16 de outubro de 2010

O LENITIVO DA ALMA

O mundo corre mais de pressa nos últimos tempos. Exemplo disso são as eleições que acontecem de dois em dois anos no País. Há algum tempo atrás, não muito, a apuração dos votos demorava dias, em alguns casos até semanas. Hoje, em poucas horas ou minutos já se tem conhecimento do resultado. E os homens, ou melhor, nós mais antigos, experimentávamos as emoções provocadas pelas incertezas do resultado por mais tempo. A demora nos possibilitava momentos mais fortes e duradouros de alegria, entusiasmo ou aflição e dor. Hoje não se tem mais nem tempo de se emocionar. Quando vem a vontade de chorar de tristeza ou de alegria por algum fato ocorrido ao nosso redor, pronto tudo passou e fica somente o nó na garganta. Ninguém tem mais tempo de comemorar. Esses e outros tantos sinais de progresso do mundo hodierno, fazem com que os seres humanos, que não evoluíram tanto assim, se percam na caminhada, não conseguindo acompanhá-lo. E o homem acaba ficando estressado, depressivo e doente. Não há corpo, nem alma que agüente. Mas o que, de fato, está acontecendo com a humanidade atual, é algo mais simples do que se imagina, diferente da complicação que pretendem os que se beneficiam e têm considerável lucro com o sofrimento das pessoas que compõem o quadro da comunidade mundial. O ser humano está esquecendo de si mesmo e vivendo na ilusão em relação ao auto conhecimento, o auto respeito e a auto estima. Ou seja, pensa que conhece a si mesmo, pensa que se compreende, pensa que se aceita e, no entanto, vive ludibriado com falsas orientações da própria consciência e de pessoas de fora que, descobrindo tal deficiência humana, aproveitam-se e vendem caro suas próprias teorias, sem nenhuma garantia comprovada de sucesso, sejam em livros, organizações ou pessoas físicas, das mais diferentes procedências e ideologias. O homem passa maior parte de sua existência correndo atrás do prejuízo ou de pré-juízos, (superstições e mitos). Sua busca é tão intensa que acaba esquecendo de viver. Trabalha, estuda, participa da sociedade, se interessa e se preocupa com tudo e esquece de si mesmo. Começa interpretar papéis diferentes e quando menos espera, não lembra mais de sua verdadeira e própria personalidade. Aí começam as distorções de pensamento e uma luta abrupta se desencadeia em seu interior. Ficam latentes os princípios de contradição e começam acentuar-se os descontentamentos pessoais com tudo o que acontece ao seu redor e com as pessoas que lhes são mais próximas. Em verdade o que está ocorrendo é uma perda de identidade. O homem não sabe mais lidar consigo mesmo. Seus relacionamentos inter, intra e extra pessoais começam ruir. Ele chega a afirmar que ninguém lhe compreende e não o aceita. Passa viver um clima solitário. Está no meio das pessoas, mas vive em completa solidão. Não se reconhece, não se respeita e não se ajuda. De certo tempo em diante começa distorcer o sentido das verdades e de algumas forças, como por exemplo, o amor. O amor, por si só, é uma força poderosíssima e tem um único significado. Mas os homens vão lhe atribuindo outros sentidos, conforme lhes convém. Amor egoísta, algumas pessoas pensam que amar é tomar posse do outro e lhe sugar o que for possível. Amor interesse, algumas pessoas somente amam porque o outro poderá oferecer-lhes algo em troca. Amor invejoso, algumas pessoas agem somente motivadas pelo ciúme. Têm medo de perder o que pensam ter possuído. Poderíamos seguir com uma lista infinda de exemplos, mas o importante é compreender que somente o verdadeiro amor poderá curar e salvar a humanidade. Refazer o homem humanitário está nas mãos das pessoas que amam. E a guerra santa do amor restabelecerá a paz no espírito e nos corações de toda pessoa que sofre. O amor é o lenitivo da alma.