Sustentabilidade Humana

O ser humano por sua própria natureza é sutentável. Mas, também, pela mesma natureza pode tornar-se degradável e, até, descartável. Dotado do livre arbítrio ele pode optar pelo direcionamento do próprio destino. Tudo depende dele. A inteligência, o pensamento, a vontade, a fé e os sentimentos estão em seu interior. Ele até pode contar com forças externas, como a graça divina, mas terá que abrir-se para ela. A possível sustentabilidade do ser humano é o objeto primeiro desta página.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012


SUSTENTABILIDADE APLICADA AO TURISMO RELIGIOSO.

Com a globalização, a partir do emergir da comunicação eletrônica, alguns enunciados, expressões e palavras, de profundo e amplo significado, infelizmente, receberam um desgaste natural rápido e acentuado. Muitos caíram na banalização, pelo uso puramente com objetivos retóricos, enfáticos, para um discurso vazio e evasivo, com conotação de mero marketing, político ou ideológico. Entre eles deparamo-nos com a palavra sustentabilidade, que vem sendo aplicada aleatoriamente para agradar aos mais distintos e finos gostos da sociedade emergente, muitas vezes até sem o devido e correto significado, que se origina de sua etimologia. Usa-se, sem compreender o real sentido e a apropriada aplicabilidade.
Partindo desses pressupostos, é urgente e necessário começar uma comprometida reflexão e consistente estudo, com o objetivo de resgatar a acepção correta e completa do referido enunciado. E, como consequência lógica, tomar a decisão de colocar em prática coerente, cotidianamente, os princípios da sustentabilidade.
Para desencadear uma eficiente reflexão, pode-se começar indagando em que consiste, de fato, a sustentabilidade? E, para uma resposta que mais se aproxime da verdade, deve-se começar com a análise da origem do termo. Etimologicamente, esse enunciado é a expressão de uma qualidade atribuída a tudo o que possa ser sustentado, ou sustentável, por si mesmo ou com auxílio de outrem. É um derivado do verbo sustentar, que os bons dicionários apresentam como “suster, apoiar, escorar, conservar, prover de, abastecer, alimentar, instruir, resistir, obstar que se quebre ou arruíne, estimular, fazer com que progrida, sofrer resignadamente, aguentar, suportar, fortificar, lutar a favor de, manter-se na mesma posição, opor resistência ao inimigo,, alimentar-se, nutrir-se, prover-se do que é necessário para viver”. (Conf. Dicionário Mor da Língua Portuguesa, IV Vol., Pag. 2049).
O caráter de sustentabilidade, atribuído a um ser, uma coisa, à natureza, ao ambiente ou a qualquer estrutura projetada, demanda o seu fortalecimento estrutural e de sua essência. Sustentabilidade, portanto, é um processo de interferência ativa a uma realidade que se faz passiva para receber a ação. A intervenção é uma proposta de continuidade, aperfeiçoamento e perpetuidade assentada sob a intercessão que promulga o completo equilíbrio, tornando o fenômeno viável, o ser amável, objeto aprazível e o ambiente agradável. Mais do que isso, a sustentabilidade promove, garante e perpetua a vida útil dos seres e das coisas. Evidentemente, a sustentabilidade é universalmente aplicada a tudo o que existe, portanto, sua amplitude é imensurável e a investigação em torno dela é infinda.
Para que esta breve reflexão seja profícua é necessário delimitar o campo de investigação. Assim, para melhor compreensão, estas ponderações se limitarão especificamente às abrangências do Turismo Religioso. Serão considerados três elementos fundamentais que o compõem. O homem, como sujeito e objeto da ação turística; O ambiente, que contem os atrativos naturais, culturais, religiosos e estruturas físicas edificadas ou oferecidas pela natureza; E o serviço turístico religioso, que deve ser diferenciado em relação às outras modalidades.
É preciso ampliar o correto emprego da sustentabilidade ao mundo em que vivemos, partindo do pressuposto que se trata de um conceito sistemático, que diz respeito à continuidade dos aspectos econômicos, culturais e ambientais do universo e da humanidade. O essencial de sua proposta é educar o ser humano, para que em suas atividades promovam o soerguimento de todas as estruturas do ambiente, da cultura e da economia, tornando o Planeta viável, possível e perene.  
O homem é autossustentável, mas carece de qualidade de vida      para não adoecer, definhar e morrer prematuramente. Necessita estar bem, para promover e usufruir do Turismo Religioso Sustentável. O Ambiente, com toda infraestrutura, somente será viável como atrativo, se for tratado com o devido cuidado e respeito. E o serviço, oferecido por quem recebe, acolhe e serve ao turista ou romeiro, precisa ser de excelente qualidade. O diferencial da prestação de serviços, no Turismo Religioso Sustentável, baseia-se nas três virtudes teologais, fé, esperança e caridade. Por distinguir-se como evangelizador, esse serviço deve ser prestado por quem tenha vocação e coragem de amar todos, indistintamente, e de forma perene, sem deixar transparecer sua mudança de humor. O turista religioso não pode e nem merece ser recebido por pessoa de “cara feia”. É preciso estar sempre motivado, bem humorado, alegre e disponível, para promover, também no trabalho, a necessária sustentabilidade. Quem ama serve, quem serve é feliz e quem vive feliz, naturalmente promove a felicidade do próximo. Um povo feliz cuida com carinho e zelo de seu habitat. Não se poderia dar melhor aplicação para o termo sustentabilidade, que a prática do amor à própria terra.

Professor Amani Spachinski de Oliveira