SUSTENTABILIDADE
APLICADA AO TURISMO RELIGIOSO.
Com
a globalização, a partir do emergir da comunicação eletrônica, alguns
enunciados, expressões e palavras, de profundo e amplo significado,
infelizmente, receberam um desgaste natural rápido e acentuado. Muitos caíram
na banalização, pelo uso puramente com objetivos retóricos, enfáticos, para um
discurso vazio e evasivo, com conotação de mero marketing, político ou
ideológico. Entre eles deparamo-nos com a palavra sustentabilidade, que vem
sendo aplicada aleatoriamente para agradar aos mais distintos e finos gostos da
sociedade emergente, muitas vezes até sem o devido e correto significado, que
se origina de sua etimologia. Usa-se, sem compreender o real sentido e a
apropriada aplicabilidade.
Partindo
desses pressupostos, é urgente e necessário começar uma comprometida reflexão e
consistente estudo, com o objetivo de resgatar a acepção correta e completa do referido
enunciado. E, como consequência lógica, tomar a decisão de colocar em prática coerente,
cotidianamente, os princípios da sustentabilidade.
Para
desencadear uma eficiente reflexão, pode-se começar indagando em que consiste,
de fato, a sustentabilidade? E, para uma resposta que mais se aproxime da
verdade, deve-se começar com a análise da origem do termo. Etimologicamente,
esse enunciado é a expressão de uma qualidade atribuída a tudo o que possa ser
sustentado, ou sustentável, por si mesmo ou com auxílio de outrem. É um
derivado do verbo sustentar, que os bons dicionários apresentam como “suster, apoiar,
escorar, conservar, prover de, abastecer, alimentar, instruir, resistir, obstar
que se quebre ou arruíne, estimular, fazer com que progrida, sofrer
resignadamente, aguentar, suportar, fortificar, lutar a favor de, manter-se na
mesma posição, opor resistência ao inimigo,, alimentar-se, nutrir-se, prover-se
do que é necessário para viver”. (Conf. Dicionário Mor da Língua Portuguesa, IV
Vol., Pag. 2049).
O
caráter de sustentabilidade, atribuído a um ser, uma coisa, à natureza, ao ambiente
ou a qualquer estrutura projetada, demanda o seu fortalecimento estrutural e de
sua essência. Sustentabilidade, portanto, é um processo de interferência ativa
a uma realidade que se faz passiva para receber a ação. A intervenção é uma
proposta de continuidade, aperfeiçoamento e perpetuidade assentada sob a
intercessão que promulga o completo equilíbrio, tornando o fenômeno viável, o
ser amável, objeto aprazível e o ambiente agradável. Mais do que isso, a
sustentabilidade promove, garante e perpetua a vida útil dos seres e das coisas.
Evidentemente, a sustentabilidade é universalmente aplicada a tudo o que
existe, portanto, sua amplitude é imensurável e a investigação em torno dela é
infinda.
Para
que esta breve reflexão seja profícua é necessário delimitar o campo de
investigação. Assim, para melhor compreensão, estas ponderações se limitarão especificamente
às abrangências do Turismo Religioso. Serão considerados três elementos
fundamentais que o compõem. O homem, como sujeito e objeto da ação turística; O
ambiente, que contem os atrativos naturais, culturais, religiosos e estruturas
físicas edificadas ou oferecidas pela natureza; E o serviço turístico
religioso, que deve ser diferenciado em relação às outras modalidades.
É
preciso ampliar o correto emprego da sustentabilidade ao mundo em que vivemos,
partindo do pressuposto que se trata de um conceito sistemático, que diz
respeito à continuidade dos aspectos econômicos, culturais e ambientais do
universo e da humanidade. O essencial de sua proposta é educar o ser humano,
para que em suas atividades promovam o soerguimento de todas as estruturas do
ambiente, da cultura e da economia, tornando o Planeta viável, possível e
perene.
O
homem é autossustentável, mas carece de qualidade de vida para não adoecer, definhar e morrer
prematuramente. Necessita estar bem, para promover e usufruir do Turismo
Religioso Sustentável. O Ambiente, com toda infraestrutura, somente será viável
como atrativo, se for tratado com o devido cuidado e respeito. E o serviço,
oferecido por quem recebe, acolhe e serve ao turista ou romeiro, precisa ser de
excelente qualidade. O diferencial da prestação de serviços, no Turismo
Religioso Sustentável, baseia-se nas três virtudes teologais, fé, esperança e
caridade. Por distinguir-se como evangelizador, esse serviço deve ser prestado
por quem tenha vocação e coragem de amar todos, indistintamente, e de forma
perene, sem deixar transparecer sua mudança de humor. O turista religioso não
pode e nem merece ser recebido por pessoa de “cara feia”. É preciso estar
sempre motivado, bem humorado, alegre e disponível, para promover, também no
trabalho, a necessária sustentabilidade. Quem ama serve, quem serve é feliz e quem
vive feliz, naturalmente promove a felicidade do próximo. Um povo feliz cuida
com carinho e zelo de seu habitat. Não se poderia dar melhor aplicação para o
termo sustentabilidade, que a prática do amor à própria terra.
Professor Amani Spachinski de Oliveira
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